A estratégia wheel é uma das formas mais consistentes de gerar renda passiva com opções, especialmente quando aplicada a ativos sólidos como BTC e ETH.
Eu não só estudo essa metodologia, mas a aplico de forma prática, conectando-a à minha rotina de DCA (Dollar Cost Averaging) — ou seja, compro BTC e ETH todos os meses e parte desse capital é direcionada para operar a wheel.
Essa combinação me permite acumular ativos de longo prazo e, ao mesmo tempo, extrair prêmios semanais e mensais do mercado, criando um fluxo de caixa constante.
1. Como funciona a estratégia wheel
De forma resumida, a wheel segue três passos:
- Venda de opções de venda (puts) cobertas por caixa — se não forem exercidas, você fica com o prêmio.
- Se a put for exercida, você compra o ativo a um preço abaixo do mercado.
- Venda de opções de compra (calls) cobertas sobre esse ativo — se não forem exercidas, você mantém o ativo e o prêmio; se forem, vende com lucro.
Esse ciclo é repetido continuamente, aproveitando a volatilidade natural de BTC e ETH.
2. Ligando o DCA à wheel
O que faz a minha abordagem ser diferente é que o capital que aplico na wheel vem de uma rotina disciplinada de DCA.
Todos os meses, destino um valor fixo para comprar BTC e ETH — atualmente, cerca de US$ 400/mês — e parte desse montante vai diretamente para alimentar a estratégia wheel.
Isso significa que mesmo quando o mercado está em queda, continuo acumulando ativos e, quando os preços estabilizam ou sobem, posso usá-los como colateral para gerar renda vendendo calls.
Detalho mais sobre minha metodologia de aportes e disciplina no artigo Opções BTC e ETH: prejuízo de $1.082 e perda de 17%.
3. Por que BTC e ETH são ideais para a wheel
- Liquidez alta no mercado de opções, especialmente em corretoras como Deribit.
- Volatilidade atrativa, o que eleva os prêmios das opções.
- Fundamentação de longo prazo: considero os dois ativos peças-chave para meu portfólio.
4. Minha experiência prática com BTC
No BTC, sigo parâmetros conservadores:
- Puts semanais OTM (5% a 10% abaixo do preço de mercado).
- Calls semanais também OTM (5% a 8% acima).
Resultados médios:
- Puts: ~1,5% a 2% ao mês sobre o capital usado.
- Calls: ~1% a 1,2% ao mês.
5. Minha experiência prática com ETH
O ETH, por ter volatilidade maior:
- Oferece prêmios mais altos (2,5% a 3% ao mês nas puts).
- Tem maior chance de exercício, o que exige atenção.
- Calls podem ser rapidamente atingidas se o preço disparar.
Fiz um teste com proteção via put no ETH que detalho em Hedge Put ETH — Week 1: Yield 4,4% com vol 92%.
6. Impacto da volatilidade
A volatilidade implícita é determinante no valor dos prêmios.
Nos criptoativos, essa volatilidade média é alta, o que favorece a wheel, mas também aumenta a frequência de ajustes.
7. Resultados consolidados
Nos primeiros 6 meses:
- BTC: ~9% sobre capital destinado.
- ETH: ~14% sobre capital destinado.
- Consolidado: ~11%, sem contar a valorização dos ativos.
8. Lições aprendidas
- DCA + Wheel cria um ciclo de crescimento constante.
- O BTC é mais estável, ideal para segurança na wheel.
- O ETH é mais arriscado, mas mais rentável.
- É preciso ter gestão de caixa para cobrir puts exercidas.
- Ajustes rápidos são fundamentais em semanas de eventos importantes.
9. Recursos e aprofundamento
Se você quer entender mais sobre a lógica da engenharia de opções e gestão de risco, recomendo explorar a categoria completa no blog:
Engenharia das Opções — Derivativos
Conclusão
A estratégia wheel com BTC e ETH, quando aliada a um plano de DCA disciplinado, cria um fluxo de caixa recorrente e acelera o acúmulo de ativos.
É uma abordagem que exige paciência, gestão e ajustes constantes, mas que se mostra altamente eficaz no longo prazo.
FAQ — Estratégia Wheel com BTC e ETH
1. O que é a estratégia wheel?
A estratégia wheel é um ciclo de venda de opções que combina:
- Venda de puts cobertas por caixa para comprar ativos com desconto.
- Venda de calls cobertas sobre os ativos adquiridos.
- Repetição contínua desse ciclo para gerar prêmios recorrentes.
2. Por que usar BTC e ETH na wheel?
- Liquidez alta nos contratos de opções.
- Volatilidade elevada, que aumenta o valor dos prêmios.
- Fundamentação de longo prazo, pois são ativos que mantenho para valorização futura.
3. Qual a diferença entre fazer wheel com BTC e com ETH?
- BTC: Mais estável, menor risco de exercício inesperado.
- ETH: Mais volátil, prêmios maiores, mas exige ajustes mais frequentes.
4. Quanto posso ganhar com a estratégia wheel?
Depende de:
- Volatilidade do ativo.
- Distância das strikes escolhidas.
- Frequência de operação (semanal ou mensal).
Na minha experiência:
- BTC: 1,5% a 2% ao mês sobre capital destinado.
- ETH: 2,5% a 3% ao mês sobre capital destinado.
5. É possível perder dinheiro com a wheel?
Sim, especialmente se:
- O ativo cair muito e você tiver vendido puts próximas ao preço.
- Vender calls muito próximas e perder valorização expressiva do ativo.
- Não tiver caixa para cobrir puts exercidas.
6. Preciso ter o ativo para começar?
Para vender calls cobertas, sim — você precisa ter BTC ou ETH na carteira.
Para vender puts cobertas por caixa, basta ter stablecoins como garantia.
7. Qual a relação entre wheel e DCA?
No meu método:
- O DCA garante aporte constante de BTC e ETH todos os meses.
- Esses ativos comprados são usados como colateral para vender calls.
- Parte do caixa do DCA vai para vender puts e gerar entrada no ativo com desconto.
8. Posso fazer wheel só com stablecoins?
Sim, mas nesse caso você só operará a parte de venda de puts, sem calls, e ganhará apenas os prêmios das puts vendidas.
9. É preciso ajustar a operação durante a semana?
Sim, principalmente quando:
- O preço se aproxima muito da strike vendida.
- Há eventos macroeconômicos ou notícias que afetam BTC e ETH.
10. Quais corretoras permitem wheel com BTC e ETH?
- Deribit (mais usada para cripto).
- OKX (permite opções e futuros com interface amigável).
- Algumas DEXs em DeFi, mas com liquidez menor.
11. Qual o capital mínimo recomendado?
- Para BTC: Pelo menos 0,05 BTC para calls cobertas com strikes mais distantes.
- Para ETH: Pelo menos 1 ETH para calls cobertas.
- Para puts: caixa equivalente ao valor do contrato.
12. Como escolher o strike na wheel?
- Puts: 5% a 10% abaixo do preço atual para aumentar segurança.
- Calls: 5% a 8% acima para permitir valorização antes de venda.
13. Quais riscos são mais comuns?
- Mercado lateral: prêmios menores.
- Mercado muito direcional: risco de ser exercido constantemente.
- Liquidez baixa: dificuldade para encerrar posições.
14. Wheel funciona em mercado de queda?
Sim, mas o foco muda para a venda de puts com strike mais baixo, visando comprar o ativo com desconto e acumular para o próximo ciclo de alta.
15. Posso usar wheel como renda fixa?
Não. Apesar de gerar fluxo de caixa, é renda variável, com riscos e oscilações.
A wheel é para aumentar acúmulo de ativos e gerar prêmio extra, não como substituto de renda fixa.
16. Qual a vantagem de usar wheel em vez de só fazer hold?
- Geração de fluxo de caixa semanal/mensal.
- Aproveitamento da volatilidade.
- Possibilidade de comprar ativos com desconto.
17. É possível usar wheel em DeFi?
Sim, mas a liquidez ainda é menor e as garantias podem ser diferentes.
Exige cuidado com risco de protocolo e contratos inteligentes.
18. Wheel paga mais que staking?
Depende do mercado:
- Em volatilidade alta, a wheel paga muito mais que staking.
- Em volatilidade baixa, staking pode ser mais constante.
19. Qual percentual da carteira devo usar na wheel?
Eu uso até 30% do portfólio, deixando o restante em DCA, pools de liquidez e cofres.
20. Quais métricas devo acompanhar para otimizar a wheel?
- Volatilidade implícita (IV).
- Distância das strikes.
- Liquidez dos contratos.
- Relação prêmio/risco.
“O coração do prudente adquire conhecimento.” – Provérbios 18:15