Estratégia Wheel com BTC e ETH — Minha Experiência Real

Aportes de US$ 400 por mês, resultado inicial de 11% e a confiança que antecedeu os losses posteriores com opções.

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Publiquei este texto pela primeira vez em 11 de agosto de 2025. Os resultados abaixo retratam aquele recorte, antes da auditoria completa das operações posteriores.

Como eu ligava o DCA à Wheel

Eu destinava aproximadamente US$ 400 por mês à compra de BTC e ETH. Parte dos ativos alimentava a Wheel: venda de puts para tentar comprar em preços escolhidos e venda de calls depois de receber ou acumular o ativo.

Eu via BTC e ETH como teses de longo prazo. A volatilidade aumentava os prêmios e parecia acelerar o acúmulo. Ao mesmo tempo, essa mesma volatilidade aumentava a frequência e o custo dos ajustes.

Os parâmetros que eu registrava

No BTC, eu descrevia puts semanais entre 5% e 10% abaixo do mercado e calls entre 5% e 8% acima. Registrava médias de 1,5% a 2% ao mês nas puts e de 1% a 1,2% nas calls.

No ETH, eu aceitava mais volatilidade e buscava prêmios maiores, entre 2,5% e 3% ao mês nas puts. A experiência da chamada de margem já tinha mostrado que isso também exigia ajustes rápidos.

O resultado dos primeiros seis meses

  • BTC: aproximadamente 9% sobre o capital destinado;
  • ETH: aproximadamente 14%;
  • resultado consolidado: aproximadamente 11%, sem contar a valorização dos ativos.

Naquele momento, concluí que “DCA + Wheel” formava um ciclo constante de crescimento. Essa conclusão precisa permanecer no arquivo porque explica minha confiança. Mas ela não pode ser lida como resultado permanente.

O que os anos seguintes revelaram

A Wheel funcionava enquanto os ajustes eram pequenos e o capital comportava exercício ou recompra. Quando comecei a empilhar calls, strikes e vencimentos, deixei de operar um ciclo coberto e passei a carregar uma exposição concentrada contra a alta.

Os 11% dos primeiros seis meses eram uma fotografia. O loss posterior mostrou que a estratégia precisava ser avaliada por ciclos completos, incluindo perdas, taxas e custo de recompras.

Como a Wheel deveria completar um ciclo

A Wheel começa com caixa reservado para uma possível compra. Eu vendo uma put em um strike no qual aceitaria receber o ativo. Se a opção expira fora do dinheiro, fico com o prêmio e posso avaliar uma nova venda. Se sou exercida, compro ou recebo a exposição prevista e passo para a etapa seguinte.

Com o ativo em carteira, vendo uma call coberta. Se ela expira abaixo do strike, mantenho o ativo e o prêmio. Se é exercida, encerro a posição no preço combinado e volto ao caixa. A imagem de roda vem dessa repetição entre caixa, put, ativo e call.

O ciclo só é coerente quando a put está realmente garantida pelo caixa e a call pela quantidade correspondente do ativo. Se uso margem para vender mais contratos do que posso receber ou entregar, a roda passa a depender de alavancagem.

O papel dos meus aportes mensais

Eu aportava aproximadamente US$ 400 por mês em BTC e ETH. O DCA mantinha a acumulação mesmo durante quedas e fornecia ativos que poderiam servir à etapa de calls.

Essa disciplina era uma força real. O problema foi atribuir aos aportes a capacidade de corrigir qualquer perda operacional. Um novo depósito aumenta o saldo da conta, mas não altera o resultado da opção anterior.

Se uma recompra consome parte do DCA, a estratégia de renda está retirando recursos da estratégia de acumulação. Sem contas separadas, eu podia interpretar o aumento total de BTC como desempenho da Wheel quando parte vinha simplesmente dos aportes.

Por que eu escolhi BTC e ETH

Os dois ativos tinham mercados de opções com maior liquidez do que a maioria dos criptoativos. Eu também os considerava teses de longo prazo e aceitava mantê-los em carteira. Isso atendia a uma condição importante da Wheel: não vender puts sobre algo que eu não desejaria receber.

O Bitcoin apresentava, na minha percepção, movimentos mais estáveis. O ETH oferecia prêmios maiores, mas exigia mais atenção. Essa diferença apareceu nos números que eu registrava: metas menores para BTC e maiores para ETH.

Liquidez e convicção, porém, não eliminavam volatilidade. O fato de eu desejar manter o ativo não significava que qualquer preço, tamanho ou quantidade de contratos seria adequado.

Minhas regras de strike em 2025

Para puts de BTC, eu trabalhava com strikes aproximadamente 5% a 10% abaixo do mercado. Nas calls, usava algo entre 5% e 8% acima. No ETH, a volatilidade maior aumentava os prêmios e a necessidade de ajustes.

Eu chamava esses parâmetros de conservadores. Hoje reconheço que a distância percentual era apenas uma variável. Prazo, delta, volatilidade implícita, eventos e exposição total podiam transformar uma distância aparentemente confortável em posição agressiva.

A chamada de margem de julho de 2025 já havia demonstrado isso: uma call aproximadamente 10% distante foi alcançada durante uma alta de 16% em menos de 24 horas.

O que os 11% consolidados mostravam — e o que não mostravam

Os resultados iniciais eram reais dentro do recorte: cerca de 9% no capital destinado ao BTC, 14% no ETH e 11% no conjunto. Eles mostravam que a estratégia havia capturado prêmios e valorização durante aqueles meses.

Não mostravam como o método reagiria a todos os regimes de mercado. Seis meses não continham necessariamente alta explosiva, queda prolongada, volatilidade crescente e várias posições pressionadas ao mesmo tempo.

Também era necessário distinguir retorno sobre “capital usado” de retorno sobre o patrimônio necessário para suportar exercício e margem. Um percentual pode parecer maior quando o denominador considera apenas a parcela imobilizada na abertura.

Volatilidade alta pagava o prêmio e criava o risco

Eu via a volatilidade dos criptoativos como vantagem porque ela elevava o preço das opções. Isso estava correto, mas incompleto. O prêmio era maior porque a probabilidade e o impacto dos movimentos também eram maiores.

No ETH, eu buscava retornos mensais de 2,5% a 3% nas puts. Para receber mais, precisava aceitar strike, prazo ou exposição que o mercado remunerava justamente por carregar mais incerteza.

Não existe separação entre “prêmio bom” e “risco ruim”. Eles são partes do mesmo contrato. A pergunta precisava mudar de “quanto rende?” para “qual obrigação estou aceitando para receber isso?”.

Gestão de caixa na etapa das puts

Uma cash-secured put exige caixa suficiente para receber a quantidade prevista pelo strike. Se abro várias puts e considero improvável que todas sejam exercidas juntas, posso comprometer o mesmo caixa mais de uma vez.

Durante uma queda generalizada, correlações aumentam e diferentes strikes podem entrar no dinheiro. O cenário raro deixa de ser uma opção por vez e passa a ser várias obrigações simultâneas.

Eu precisava manter uma planilha com caixa reservado por contrato, caixa livre e valor total necessário no pior cenário. Saldo disponível na plataforma não era automaticamente caixa disponível para nova operação.

A etapa das calls e o risco de devolver o ativo

Depois de receber BTC ou ETH, a call coberta limitava parte da alta. Se o ativo ultrapassasse o strike, eu precisava aceitar a liquidação prevista ou recomprar a call por um valor maior.

Minha convicção de longo prazo criava conflito. Eu dizia aceitar vender no strike, mas, quando a alta acontecia, não queria perder o ativo. A recompra preservava o BTC ou ETH e transformava a alta em prejuízo operacional.

Essa tensão precisava ser resolvida antes da abertura. Se eu não aceitava verdadeiramente vender ou liquidar naquele preço, o prêmio não compensava a obrigação emocional e financeira.

Rolagem não apaga prejuízo

Rolar significa encerrar uma opção e abrir outra com novo strike ou vencimento. A nova entrada de prêmio pode reduzir o desembolso visível, mas não elimina o custo da recompra anterior.

Se registro apenas o crédito líquido da ordem combinada, posso esconder uma perda realizada dentro de uma nova obrigação. A posição parece “salva”, mas o risco foi transferido para frente.

Cada rolagem deveria registrar separadamente o resultado do contrato encerrado e os termos do novo contrato. Sem isso, a Wheel pode girar por meses sem mostrar qual volta gerou valor e qual apenas adiou reconhecimento.

Quando a Wheel deixou de ser Wheel

Uma roda pressupõe sequência: put, possível recebimento, call coberta e retorno ao caixa. Em 2026, eu abri várias calls com strikes e vencimentos sobrepostos. Em vez de uma etapa coberta, construí uma carteira de obrigações contra a mesma alta do Bitcoin.

No pico, havia aproximadamente 1,2 BTC nominais em calls simultâneas. Mesmo considerando que o delta era menor que o nominal, a quantidade ultrapassava o BTC que eu podia associar a uma Wheel simples.

Os códigos diferentes criavam aparência de diversificação. O fator de risco era um só. Se o BTC subisse, setembro, outubro e dezembro poderiam ser pressionados juntos.

O resultado precisa incluir a volta inteira

Uma Wheel não pode ser avaliada apenas pelo prêmio da put ou da call. O resultado completo inclui compra ou recebimento do ativo, variação até a saída, prêmio, recompra, taxas e capital mantido para suportar a operação.

No extrato de 2026, eu havia recebido 0,05000000 BTC em prêmios. A frase parecia confirmar a tese de renda. Depois de 0,12731000 BTC em recompras e 0,00265125 BTC em taxas, a estratégia apresentava perda de 0,07996125 BTC.

Esse número não apaga os 11% iniciais. Ele mostra que resultados de períodos diferentes precisam permanecer na mesma série histórica. Uma janela positiva não valida retorno recorrente.

As regras que teriam mantido o método reconhecível

  1. uma put somente com caixa integralmente reservado;
  2. uma call somente com a quantidade correspondente do ativo separada;
  3. nenhum novo contrato usando o mesmo lastro;
  4. resultado por ciclo, incluindo todas as taxas e recompras;
  5. limite de exposição somando vencimentos e strikes;
  6. pausa quando o mercado sai do regime previsto;
  7. decisão antecipada entre aceitar exercício, rolar ou encerrar.

O que a Wheel representa na minha trajetória

A estratégia reuniu duas características minhas: disciplina para aportar e vontade de tornar o capital mais eficiente. Durante algum tempo, os resultados reforçaram essa combinação.

O erro foi acreditar que constância de comportamento produziria constância de mercado. Eu podia aportar todos os meses; não podia exigir que BTC e ETH permanecessem dentro das faixas necessárias para minhas calls.

A autonomia que procuro não está em gerar prêmio toda semana. Está em conhecer as obrigações, preservar capacidade de decisão e não permitir que a necessidade de rendimento me obrigue a assumir uma exposição que não consigo explicar.

O valor deste artigo hoje

Não republico a Wheel como fórmula. Republico como etapa da minha trajetória: aportes disciplinados, ganhos iniciais, aumento da confiança e descoberta tardia do risco acumulado.

Relato pessoal e conteúdo educativo. Não constitui recomendação de investimento.