NR 20 | Áreas Classificadas

Classificação de Áreas na NR 20: Zonas 0, 1, 2, 20, 21 e 22

Jucely DamásioEngenheira de Segurança do Trabalho·16 min de leitura
Planta industrial de processo com tanques e tubulações, com marcações de zonas de risco de explosão em amarelo e vermelho no piso.

Vou começar com uma cena que vivi numa planta de grau de risco 4. Um eletricista, cheio de boa vontade, trocou um motor queimado numa sala de bombas de solvente por um motor de estoque — sem selo Ex, sem nada. Ele estava certo tecnicamente? O motor girava, a bomba bombeava. Mas ele acabara de plantar uma bomba-relógio dentro de uma atmosfera potencialmente explosiva. Faltou o que deveria ter vindo antes de qualquer decisão: a classificação de áreas. Na minha experiência, é justamente esse documento que separa a planta que opera com sorte da planta que opera com engenharia.

Classificação de áreas é o estudo técnico que identifica, mapeia e categoriza os locais de uma instalação onde pode existir atmosfera explosiva — seja por gases, vapores ou poeiras combustíveis. E digo com todas as letras: a classificação de áreas não é um enfeite de projeto, é a fundação sobre a qual todo o restante da segurança contra explosão se apoia. Sem ela, a escolha de equipamentos elétricos, a definição de permissões de trabalho e o próprio plano de emergência ficam no chute.

A NR 20 trata dos líquidos e gases inflamáveis e combustíveis, e é ela que puxa a corda quando o assunto é atmosfera explosiva no Brasil. Mas o coração técnico da classificação de áreas mora nas normas ABNT NBR IEC da série 60079 — em especial a NBR IEC 60079-10-1 para gases e a 60079-10-2 para poeiras. Uma boa classificação de áreas casa a exigência legal da NR 20 com o método de engenharia dessas normas técnicas. Quando eu audito uma planta, a primeira pergunta que faço é: "cadê o documento de classificação de áreas, quem assinou e qual a ART?"

Discordo frontalmente da prática comum de tratar a classificação de áreas como algo que "o fornecedor do equipamento resolve". Não resolve. A classificação de áreas é responsabilidade do detentor da instalação, feita por profissional habilitado, com registro de responsabilidade técnica. O fornecedor entrega equipamento certificado para uma determinada zona — mas quem define qual zona existe em cada canto da planta é o estudo. Inverter essa ordem é o erro estrutural número um que vejo em campo.

Para dimensionar, veja como o mundo organiza a classificação de áreas em zonas. O conceito é simples e brilhante: quanto mais frequente e duradoura a presença da atmosfera explosiva, mais severa a zona e mais robusto o equipamento exigido. A tabela a seguir traz as ordens de grandeza consagradas pela NBR IEC 60079-10-1 e pela IEC 60079-10-2, que a NR 20 incorpora por referência.

Zonas de classificação de áreas — gases/vapores e poeiras (NBR IEC 60079-10-1 e 60079-10-2)
ZonaTipo de atmosferaFrequência/duração da atmosfera explosivaReferência de tempo (aprox.)
Zona 0Gases/vaporesPresente de forma contínua ou por longos períodos> 1.000 h/ano
Zona 1Gases/vaporesProvável em operação normal, ocasionalmenteentre 10 e 1.000 h/ano
Zona 2Gases/vaporesImprovável em operação normal; se ocorrer, por pouco tempo< 10 h/ano
Zona 20Poeiras combustíveisNuvem de poeira presente de forma contínua ou frequente> 1.000 h/ano
Zona 21Poeiras combustíveisProvável em operação normal, ocasionalmenteentre 10 e 1.000 h/ano
Zona 22Poeiras combustíveisImprovável em operação normal; se ocorrer, por pouco tempo< 10 h/ano

Repare no espelhamento: 0-1-2 para gases, 20-21-22 para poeiras. É a mesma lógica de frequência, apenas com o "20" indicando a família das poeiras. Guardar isso já resolve metade das confusões que vejo em treinamento de campo.

O que é atmosfera explosiva — e por que ela manda no projeto

Atmosfera explosiva é a mistura, em condições atmosféricas, de ar com substâncias inflamáveis na forma de gases, vapores, névoas ou poeiras, na qual, após a ignição, a combustão se propaga a toda a mistura não queimada. Traduzindo do "normês": é o ambiente onde falta só uma faísca. E faísca não falta em planta industrial — motor, contato elétrico, eletricidade estática, ferramenta batendo em aço. Por isso a classificação de áreas existe: para dizer onde essa faísca não pode, de jeito nenhum, aparecer.

O triângulo do fogo aqui vira triângulo da explosão: combustível (o gás/poeira), comburente (o oxigênio do ar) e fonte de ignição. A classificação de áreas ataca o único vértice que a engenharia controla de forma confiável em ambiente aberto: a fonte de ignição. Se eu sei que ali é Zona 1, eu só instalo equipamento certificado para Zona 1 — e elimino, por projeto, a possibilidade de ignição.

Fonte de risco: o ponto de partida do estudo

Toda classificação de área começa identificando as fontes de risco — flanges, selos de bomba, respiros de tanque, pontos de amostragem, válvulas de alívio. Cada fonte recebe um grau: contínuo, primário ou secundário. É esse grau, combinado com a ventilação do local, que determina a zona resultante. Uma fonte de grau contínuo em ambiente mal ventilado gera Zona 0; a mesma fonte com ventilação forte pode "cair" para Zona 1 ou até 2. Ventilação, aqui, é engenharia pura.

  • Grau de emissão contínuo → tende a gerar Zona 0 (gás) ou Zona 20 (poeira);
  • Grau de emissão primário → tende a gerar Zona 1 (gás) ou Zona 21 (poeira);
  • Grau de emissão secundário → tende a gerar Zona 2 (gás) ou Zona 22 (poeira);
  • Ventilação (grau e disponibilidade) pode reduzir a extensão e a severidade da zona;
  • A extensão da zona (raio, em metros) é calculada, não chutada — depende de vazão de vazamento, densidade do gás e ventilação.

Quem exige a classificação de áreas

Aqui mora um mal-entendido caro. A NR 20 não é a única a puxar a classificação de áreas — ela é a mais explícita, mas o requisito atravessa várias normas e órgãos. A NR 20, no seu texto, determina que as instalações que operam inflamáveis observem a classificação de áreas para seleção de equipamentos e instalações elétricas. A NR 10, por sua vez, ao tratar de instalações elétricas em atmosferas explosivas, exige que "os serviços em instalações elétricas em áreas classificadas somente poderão ser realizados mediante permissão para trabalho" e que os equipamentos sejam adequados à classificação do local.

Some a isso a atuação da ABNT (que publica as normas técnicas de método), da Fundacentro (referência de pesquisa e boas práticas em segurança do trabalho) e do próprio Ministério do Trabalho e Emprego, que mantém o texto atualizado das NRs no portal gov.br. Em plantas de processo, o corpo de bombeiros estadual e órgãos ambientais também costumam exigir o documento de classificação de áreas como condicionante de licença. Ou seja: não é "se" alguém vai cobrar — é "quando".

Detalhe de planta de classificação de áreas com raios de zona desenhados em torno de flanges e respiros de tanque.
A extensão de cada zona (o "raio de risco" ao redor de flanges, respiros e selos) é calculada segundo a NBR IEC 60079-10-1 — nunca estimada a olho.

Marcação de equipamentos: lendo o código Ex

De nada adianta classificar a área se, na hora de comprar o equipamento, ninguém sabe ler a marcação. Um equipamento certificado para atmosfera explosiva traz um código que informa o tipo de proteção, o grupo do gás e a classe de temperatura. Exemplo típico: "Ex d IIB T3". O "d" é o tipo de proteção (invólucro à prova de explosão); o "IIB" é o grupo do gás; o "T3" é a temperatura máxima de superfície. Casar esse código com a zona classificada é o que garante segurança real.

Correspondência entre zona e categoria de equipamento (referência)
ZonaCategoria de equipamento (EPL)Nível de proteção exigidoExemplo de tipo de proteção
Zona 0GaMuito alto — protege mesmo com duas falhasEx ia (segurança intrínseca)
Zona 1Ga ou GbAlto — protege em operação normal e falha esperadaEx d, Ex e, Ex ib
Zona 2Ga, Gb ou GcNormal — protege em operação normalEx n, Ex t, Ex ic
Zona 20DaMuito alto (poeira)Ex ta (proteção por invólucro)
Zona 21Da ou DbAlto (poeira)Ex tb
Zona 22Da, Db ou DcNormal (poeira)Ex tc

Regra de bolso que ensino em campo: equipamento de zona mais severa pode operar em zona menos severa, nunca o contrário. Um equipamento Ex ia (Zona 0) pode ir para Zona 1 ou 2; mas jamais coloque um equipamento de Zona 2 numa Zona 0. Inverter isso é o segundo erro estrutural mais comum que encontro.

O que a norma não te conta sobre classificação de áreas

Vou ser honesta sobre o que a leitura fria da norma não entrega. Primeiro: a classificação de áreas é um documento VIVO. Toda vez que a planta muda — nova bomba, mudança de produto, alteração de layout, aumento de vazão —, a classificação precisa ser revista. Vejo plantas com documento de classificação de 2011 operando processo de 2023. Isso, na prática, é ter classificação nenhuma. A norma diz "manter atualizado", mas não te avisa que 80% das plantas ignoram isso solenemente.

Segundo: a extensão da zona é o campo onde mais se erra por preguiça. Muita gente copia raios de zona de projetos antigos ou de tabelas genéricas, sem rodar o cálculo da NBR IEC 60079-10-1 para as condições reais de vazão e ventilação. Resultado: zonas subdimensionadas que deixam equipamentos comuns dentro do raio de risco. Na minha experiência, quando o documento não traz a memória de cálculo da extensão das zonas, ele não vale o papel em que foi impresso.

Terceiro, e talvez o mais ignorado: poeira mata tanto quanto gás. A obsessão do mercado com gases e vapores faz muita gente esquecer as Zonas 20, 21 e 22. Silos de açúcar, moinhos de cereais, indústrias de plástico e metalurgia de alumínio têm histórico de explosões de poeira devastadoras. A classificação de áreas de poeira é subestimada justamente porque o risco é invisível — a nuvem só se torna explosiva quando levantada. Discordo de qualquer estudo que "esqueça" a parte de poeira.

Recomendação da Engenheira

Recomendação da Engenheira: classificação de áreas só vira segurança quando vira rotina auditável. No Kit Master de Segurança Industrial você encontra o checklist de verificação de conformidade Ex, a matriz de correspondência zona × equipamento e o modelo de registro de revisão do documento de classificação — tudo validado em plantas de grau de risco 4 e pronto para você levar à sua próxima auditoria de NR 20.

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Erros comuns que viram autuação (ou explosão)

  • Operar sem documento de classificação de áreas assinado por profissional habilitado e com ART;
  • Instalar equipamento elétrico comum (sem selo Ex) dentro de zona classificada;
  • Usar equipamento Ex de nível de proteção inferior ao exigido pela zona;
  • Não revisar a classificação após mudança de produto, processo ou layout;
  • Ignorar as zonas de poeira (20/21/22) em plantas com particulados combustíveis;
  • Copiar raios de zona de outros projetos sem rodar a memória de cálculo da NBR IEC 60079-10-1;
  • Executar trabalho a quente em área classificada sem permissão de trabalho e sem medição de atmosfera.

Cada um desses erros é, isoladamente, suficiente para uma autuação séria de NR 20 — e, o que é pior, para um acidente catastrófico. Explosão em área classificada não fere um trabalhador: destrói uma planta e mata equipes inteiras.

Perguntas frequentes sobre classificação de áreas (NR 20)

O que é classificação de áreas?

É o estudo técnico que identifica e mapeia os locais de uma instalação onde pode existir atmosfera explosiva por gases, vapores ou poeiras. Ele define zonas de risco que orientam a seleção de equipamentos e as regras de trabalho no local.

Qual a diferença entre Zona 0, 1 e 2?

As três se referem a gases e vapores, variando pela frequência da atmosfera explosiva. Zona 0 tem atmosfera presente de forma contínua; Zona 1, provável em operação normal; Zona 2, apenas improvável e por curtos períodos.

E as Zonas 20, 21 e 22, o que são?

São o equivalente das zonas de gás, porém para poeiras combustíveis. Zona 20 é presença contínua de nuvem de poeira; Zona 21, provável em operação normal; Zona 22, improvável e de curta duração.

Quem é responsável por elaborar a classificação de áreas?

A responsabilidade é do detentor da instalação, que deve contratar profissional legalmente habilitado. O estudo precisa ter registro de responsabilidade técnica (ART) e não pode ser terceirizado ao fornecedor de equipamentos.

A NR 20 é a única norma que exige classificação de áreas?

Não. A NR 20 é a mais explícita, mas a NR 10 também exige adequação de instalações elétricas em áreas classificadas, e as normas ABNT NBR IEC 60079 fornecem o método. Órgãos ambientais e bombeiros costumam exigir o documento como condicionante de licença.

O que é a NBR IEC 60079-10-1?

É a norma técnica da ABNT que estabelece o método para classificação de áreas com atmosferas explosivas de gases. Ela define graus de emissão, influência da ventilação e o cálculo da extensão das zonas. A versão para poeiras é a NBR IEC 60079-10-2.

Com que frequência a classificação de áreas deve ser revisada?

Sempre que houver mudança relevante de produto, processo, vazão, ventilação ou layout. Não existe prazo fixo único; o critério é a mudança de condição. Documento desatualizado equivale, na prática, a não ter classificação.

O que significa a marcação "Ex d IIB T3"?

É o código de um equipamento certificado para atmosfera explosiva. "Ex d" indica o tipo de proteção (invólucro à prova de explosão), "IIB" o grupo do gás e "T3" a classe de temperatura máxima de superfície. Ele deve ser compatível com a zona do local.

Posso usar equipamento de Zona 2 numa Zona 1?

Não. A regra é que equipamento de zona mais severa pode operar em zona menos severa, nunca o contrário. Um equipamento de Zona 0 pode ir para Zona 1 ou 2, mas um de Zona 2 jamais deve entrar em Zona 0 ou 1.

O que é grau de emissão de uma fonte de risco?

É a classificação de quão frequentemente a fonte libera substância inflamável: contínuo, primário ou secundário. O grau de emissão, combinado à ventilação, determina a zona resultante ao redor daquela fonte.

A ventilação altera a classificação de áreas?

Sim, de forma decisiva. Ventilação de grau e disponibilidade adequados reduz a extensão e a severidade da zona. Por isso o cálculo da NBR IEC 60079-10-1 considera a ventilação como variável central.

Explosão de poeira é realmente perigosa?

Extremamente. Silos, moinhos, plásticos e metalurgia de alumínio têm histórico de explosões devastadoras de poeira. O risco é traiçoeiro porque a nuvem só se torna explosiva quando levantada, o que faz muitos estudos negligenciarem as Zonas 20, 21 e 22.

O que é EPL?

EPL significa Equipment Protection Level (nível de proteção do equipamento). É uma classificação em Ga/Gb/Gc para gases e Da/Db/Dc para poeiras, que indica o grau de proteção do equipamento e sua correspondência com cada zona.

Segurança intrínseca (Ex ia) serve para qual zona?

A proteção por segurança intrínseca do tipo Ex ia é adequada até a Zona 0, a mais severa para gases. Ela limita a energia do circuito de modo que nem em condição de duas falhas haja ignição.

Preciso de classificação de áreas se só tenho pequenas quantidades de inflamável?

Depende da avaliação técnica, mas mesmo pequenos volumes podem gerar zonas ao redor de respiros e pontos de manuseio. O correto é que o profissional habilitado avalie; não se deve presumir isenção sem estudo.

A memória de cálculo da extensão das zonas é obrigatória?

É a boa prática técnica indispensável. Sem a memória de cálculo, os raios de zona viram chute e correm o risco de subdimensionar o perigo, deixando equipamentos comuns dentro da área de risco.

O corpo de bombeiros exige o documento de classificação de áreas?

Em muitos estados, sim, especialmente em plantas de processo e armazenamento de inflamáveis. O documento costuma ser condicionante para a emissão do Auto de Vistoria e de licenças ambientais.

Onde encontro o texto oficial da NR 20?

No portal do Ministério do Trabalho e Emprego, no domínio gov.br, onde as Normas Regulamentadoras são mantidas atualizadas. As normas técnicas de método são adquiridas junto à ABNT.

Classificação de áreas e ATEX são a mesma coisa?

ATEX é o conjunto de diretivas europeias sobre atmosferas explosivas; a classificação de áreas é o estudo em si. No Brasil, adotamos o modelo da IEC (série 60079), que é tecnicamente convergente com o europeu, mas com marco regulatório próprio via NR 20.

Trabalho a quente em área classificada exige o quê?

Exige permissão de trabalho específica, medição prévia e contínua da atmosfera e, muitas vezes, a desclassificação temporária da área. Sem essas barreiras, qualquer solda ou esmerilhamento pode ser a fonte de ignição fatal.

Simulado — Teste seus conhecimentos

Teste seu conhecimento — Classificação de Áreas (NR 20)

1.Qual zona corresponde à atmosfera explosiva de GÁS presente de forma contínua ou por longos períodos?

2.As Zonas 20, 21 e 22 referem-se a qual tipo de atmosfera explosiva?

3.Sobre a compatibilidade entre equipamento e zona, é correto afirmar que:

Conclusão

A classificação de áreas é o alicerce silencioso da segurança em plantas com inflamáveis. Ela não aparece no dia a dia, não faz barulho, não gera prêmio — até o dia em que falta. Zonas 0, 1 e 2 para gases; 20, 21 e 22 para poeiras; equipamento sempre compatível com a zona; documento vivo, revisado a cada mudança, com memória de cálculo e ART. Na minha experiência, planta que trata a classificação de áreas como documento vivo raramente vira estatística. Se você cuida de uma instalação com inflamáveis, comece por aí: pergunte onde está o documento, quem assinou e quando foi a última revisão. A resposta a essas três perguntas já diz muito sobre o quanto você está seguro.

Continue a pesquisa: Detector de 4 Gases: O Guia Definitivo para Espaço Confinado, Permissão de Trabalho a Quente em Área Classificada: NR 20, 33 e 34 e NR 35 Trabalho em Altura: Treinamento, APR e Tudo que a Fiscalização Vai Pedir. Para conferir o equipamento correto, use o buscador de CA; para aprofundar a preparação profissional, veja também as apostilas de SST.

Jucely Damásio

Jucely Damásio

Engenheira de Segurança do Trabalho e de Prevenção e Combate a Incêndio · Coordenadora de SSMA · 20+ anos de indústria