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Equipamentos Ex e Segurança Intrínseca: Seleção, Inspeção e os Erros que a Fiscalização Encontra

Jucely DamásioEngenheira de Segurança do Trabalho·13 min de leitura
Motor elétrico com marcação Ex d IIC instalado em área industrial classificada com sinalização de risco de explosão.

Se você já domina o conceito de zonas de classificação de áreas (se não, comece pelo nosso guia básico de áreas classificadas), o próximo nível é entender COMO um equipamento consegue operar dentro de uma atmosfera potencialmente explosiva sem detoná-la. É isso que os tipos de proteção Ex fazem — cada um com uma filosofia diferente, uma aplicação correta e erros clássicos de seleção e manutenção.

O equívoco mais perigoso que encontro em campo é tratar "certificado Ex" como categoria única — qualquer equipamento Ex em qualquer zona. Não é assim. Cada tipo de proteção Ex tem sua zona de aplicação, seu grupo de gás e sua classe de temperatura. Colocar o tipo errado é, literalmente, colocar uma bomba-relógio disfarçada de conformidade.

Tipos de proteção Ex e suas aplicações — NBR IEC 60079
Tipo de proteçãoCódigoFilosofiaZonas aplicáveisUso típico
Invólucro à prova de explosãoEx dContém a explosão interna, resfria gases ao sairZona 1 e 2Motores, painéis, luminárias
Segurança aumentadaEx eElimina faíscas por construção reforçadaZona 1 e 2Caixas de junção, terminais, motores sem comutador
Segurança intrínsecaEx ia / Ex ibLimita energia elétrica abaixo do nível de igniçãoEx ia: Zona 0,1,2 / Ex ib: Zona 1,2Instrumentação: transmissores, sensores, detectores
PressurizaçãoEx pMantém sobrepressão de ar limpo no invólucroZona 1 e 2Painéis de grande porte, computadores industriais
EncapsulamentoEx mEncapsula o componente em resinaZona 1 e 2Eletrônicos pequenos, sensores
Zona 2 (sem faísca normal)Ex nA / Ex nCNão produz faísca em operação normalZona 2 apenasEquipamentos de menor criticidade em Zona 2

Segurança intrínseca (Ex i): por que ela domina a instrumentação

Um circuito intrinsecamente seguro trabalha com energia tão baixa que nem um curto-circuito ou falha dupla (no caso de Ex ia) gera faísca capaz de inflamar a mistura mais sensível do grupo. A barreira de segurança intrínseca — zener ou isolada galvanicamente — fica na área segura e limita a tensão e a corrente que chegam ao campo.

Regras críticas para Ex i: a barreira deve ser dimensionada para os parâmetros da malha (Uo, Io, Po, Co, Lo compatíveis com Ui, Ii, Pi, Ci, Li do instrumento mais o cabo); aterramento correto da barreira zener (erro clássico que anula a proteção); e cabos de circuito intrinsecamente seguro segregados dos demais (separação física ou identificação em azul claro). Um multimedidor comum dentro de Zona 1 é fonte de ignição na sua mão.

Ex d: invólucro à prova de explosão — e o mito do "hermético"

O Ex d não é hermético — e não precisa ser. Sua genialidade é diferente: ele PERMITE que a explosão aconteça dentro do invólucro, mas o contém. Os interstícios (folgas controladas) entre as superfícies do invólucro resfriam os gases em chamas ao sair, impedindo que propaguem a explosão para a atmosfera externa. Por isso, qualquer dano às superfícies flamepath (arranhões profundos, amassados, parafusos faltantes) invalida a proteção.

Lendo a marcação Ex corretamente

Um equipamento Ex bem marcado tem: código de proteção (Ex d, Ex e, Ex ia etc.), grupo de gás (I para mineração, IIA/IIB/IIC para indústria), classe de temperatura (T1 a T6), e certificado emitido por organismo acreditado (no Brasil, IBExU, SGS, Bureau Veritas etc. com reconhecimento Inmetro). Exemplo: Ex d IIC T4 — invólucro à prova de explosão, grupo IIC (hidrogênio/acetileno), temperatura máxima de superfície 135°C.

Inspeção periódica: o que a NBR IEC 60079-17 exige

  • Inspeção visual: verificação de integridade externa, sinalização, fixações e estado geral — pode ser feita por operador treinado;
  • Inspeção próxima: todos os itens da visual mais abertura de caixas e verificação de vedações, cabos e prensa-cabos — deve ser feita por técnico habilitado;
  • Inspeção detalhada: desmontagem parcial, verificação de superfícies flamepath (Ex d), folgas, buchas e todos os elementos de proteção — frequência maior em ambientes agressivos.
  • Documentação: relatório de inspeção Ex é item de fiscalização NR 10/NR 20 e de auditoria de seguradoras.

Os 5 erros que a fiscalização sempre encontra

  • 1. Equipamento Ex de zona errada instalado — Ex d Zona 1 instalado em área Zona 0, que exige Ex ia;
  • 2. Flamepath danificado em Ex d — amasso, arranhão ou parafuso faltando anula a proteção;
  • 3. Prensa-cabo inadequado — entrada de cabo sem prensa-cabo Ex certificado é via de acesso da atmosfera;
  • 4. Barreira de segurança intrínseca sem aterramento ou com aterramento compartilhado;
  • 5. Equipamento Ex modificado — qualquer modificação interna (trocar resistência, alterar fiação) anula a certificação.
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Antes de energizar qualquer equipamento em área classificada, a pergunta é: a zona está correta no desenho? A marcação Ex é compatível com zona, grupo e temperatura? A certificação Inmetro está válida? A instalação preservou o tipo de proteção? Existe plano de inspeção periódica? Cinco sins. Para iniciar do básico, veja nosso guia de áreas classificadas e consulte os EPIs certos no buscador de CA.

Perguntas Frequentes — Equipamentos Ex e Segurança Intrínseca

O que é um equipamento Ex?

É um equipamento elétrico projetado e certificado para uso seguro em atmosferas potencialmente explosivas, por meio de um ou mais tipos de proteção que impedem que o equipamento seja fonte de ignição.

Qual a diferença entre Ex d e Ex e?

Ex d (invólucro à prova de explosão) contém uma possível explosão interna. Ex e (segurança aumentada) é construído para eliminar faíscas e superfícies quentes — não há explosão interna porque o equipamento não as gera em operação normal. Ex e é mais comum em caixas de junção; Ex d em motores.

Ex ia pode ser usado em Zona 0?

Sim. Ex ia (segurança intrínseca nível "a" — resistente a 2 falhas) é o único tipo de proteção elétrica aprovado para Zona 0. Ex ib (nível "b" — resistente a 1 falha) é aprovado para Zona 1. Ex d e Ex e não são aprovados para Zona 0.

O que é barreira zener e qual seu papel em circuito intrinsecamente seguro?

A barreira zener é um dispositivo instalado na área segura que limita a tensão (através de diodos zener) e a corrente (através de resistores) que chegam ao instrumento no campo. É o "fusível de energia" que garante que, em qualquer falha, a energia no campo não supere o nível de ignição do gás.

Barreira zener versus barreira isolada galvanicamente — quando usar cada uma?

A barreira zener é mais simples e econômica, mas exige aterramento dedicado de muito baixa impedância (máx. 1Ω). A barreira isolada galvanicamente não exige esse aterramento e é mais adequada em plantas com problemas de equalização de potencial ou em ambientes ruidosos eletricamente. A isolada tem custo maior.

O que invalida a certificação Ex de um equipamento?

Qualquer modificação interna ao equipamento (troca de componentes, alteração de fiação), dano às superfícies flamepath (Ex d), remoção de vedações (Ex e), uso em zona ou grupo diferente do certificado, ou instalação com prensa-cabos inadequados.

Como identificar que um equipamento Ex foi modificado e perdeu a certificação?

Sinais: parafusos diferentes dos originais, parafusos faltantes, soldas ou alterações visíveis na fiação interna, selos de inviolabilidade quebrados, e divergência entre o equipamento físico e o certificado de origem. A verificação é feita na inspeção próxima ou detalhada.

Multímetro comum pode ser usado em área classificada para medir tensão?

Não pode ser usado em Zona 0 ou 1 sem ser certificado Ex. Em Zona 2, a situação é menos restrita, mas o risco existe. Use apenas multímetros com certificação Ex (categoria CAT III ou IV + Ex ia ou Ex e) em áreas classificadas.

O que é flamepath e por que é crítico em Ex d?

Flamepath (ou superfície de junta) é a interface controlada entre as peças do invólucro Ex d por onde os gases em chamas escapam resfriados. A largura e o comprimento do flamepath determinam o resfriamento. Qualquer dano (arranhão profundo, amasso, folga excessiva) compromete o resfriamento e invalida a proteção.

Qual é a classe de temperatura correta para um ambiente com gasolina?

Gasolina tem temperatura de autoignição de aprox. 280°C. A classe de temperatura do equipamento deve ser menor: T3 (máx. 200°C) é a classe mínima normalmente exigida. Mais conservador é T2 (máx. 300°C). Sempre verificar a temperatura de autoignição do produto específico.

Grupo IIB e IIC têm equipamentos diferentes?

Sim. Equipamentos certificados para IIC são compatíveis com IIA, IIB e IIC (mais restritivo abrange os menos). Mas equipamentos IIB não são aprovados para IIC (hidrogênio, acetileno). Nunca use equipamento de grupo menos restritivo em ambiente mais perigoso.

O que significa "área segura" em instalação de instrumentação Ex i?

Área segura é a zona fora da classificação de áreas (sem risco de atmosfera explosiva) onde ficam os equipamentos associados (barreiras, fonte de alimentação, controladores). O circuito Ex i permite conectar a área segura com o instrumento no campo (área classificada) com segurança.

Ex p (pressurização) é adequado para painéis de grande porte em Zona 1?

Sim. A pressurização é a solução mais prática para painéis grandes onde colocar todos os componentes em invólucros Ex d seria inviável. O painel é mantido com sobrepressão de ar limpo ou gás inerte, impedindo que a atmosfera explosiva entre. Exige sistema de monitoramento de pressão e alarme de queda.

Inspeção Ex pode ser feita pelo próprio departamento de manutenção?

A inspeção visual pode ser feita por operadores treinados. A inspeção próxima e a detalhada devem ser feitas por técnicos habilitados com conhecimento de NBR IEC 60079-17. Para certificar a conformidade para fins legais, é recomendável envolver profissional com formação documentada em equipamentos Ex.

Qual é a frequência mínima de inspeção de equipamentos Ex?

A NBR IEC 60079-17 não define frequência mínima única — estabelece que a frequência deve ser definida com base na experiência, no tipo de equipamento e nas condições do ambiente. Como referência de mercado: inspeção visual mensal, inspeção próxima anual, inspeção detalhada a cada 3 anos.

Como documentar a inspeção Ex para fins de conformidade NR 10?

O relatório de inspeção Ex deve conter: identificação do equipamento (TAG, tipo de proteção, certificado, zona de instalação), data e responsável da inspeção, itens verificados com status (conforme/não conforme), não conformidades encontradas e ações corretivas. Deve ser arquivado no prontuário NR 10.

O que fazer com equipamento Ex não conforme encontrado em inspeção?

Segregação imediata (interdição do equipamento) se o risco for imediato. Registro da não conformidade no sistema de gestão de manutenção. Correção ou substituição antes da reoperação. Não existe "operação temporária" de equipamento Ex não conforme em área classificada — o risco é inaceitável.

Ex e (segurança aumentada) pode ser usado em Zona 0?

Não. Ex e é aprovado para Zonas 1 e 2. Na Zona 0, onde a atmosfera explosiva é praticamente permanente, apenas Ex ia é aceito. Usar Ex e em Zona 0 é erro grave de seleção com consequências potencialmente catastróficas.

Há equipamentos Ex para uso em ambientes com poeiras (Zonas 20, 21, 22)?

Sim. Para poeiras combustíveis, existem tipos de proteção específicos: Ex ta (invólucro) para Zona 20, Ex tb para Zona 21, Ex tc para Zona 22. Os requisitos de índice de proteção IP também são específicos para poeiras. A seleção para poeiras segue lógica similar aos gases, mas com parâmetros diferentes.

Onde posso encontrar suporte técnico especializado em equipamentos Ex?

O Portal SESMT tem artigos técnicos sobre áreas classificadas. Para laudos de conformidade e projetos Ex, consulte engenheiro habilitado. Nossos serviços de assessoria em SST incluem áreas classificadas — veja em [/servicos](/servicos).

Continue a pesquisa: NR 35 Trabalho em Altura: Treinamento, APR e Tudo que a Fiscalização Vai Pedir, Classificação de Áreas na NR 20: Zonas 0, 1, 2, 20, 21 e 22 e Áreas Classificadas: O que São as Zonas 0, 1 e 2 — Guia Básico Completo. Para conferir o equipamento correto, use o buscador de CA; para aprofundar a preparação profissional, veja também as apostilas de SST.

Jucely Damásio

Jucely Damásio

Engenheira de Segurança do Trabalho e de Prevenção e Combate a Incêndio · Coordenadora de SSMA · 20+ anos de indústria